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Factorama

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A velada guerra ambiental

Sexta-feira, Maio 16, 2008 4:32:00 PM

Longe dos grandes centros urbanos, em especial dos centros urbanos de São Paulo e do Rio de Janeiro, travam-se as maiores batalhas com relação à proteção ambiental das reservas florestais brasileiras. Em rincões como a região da “Terra do Meio”, no sul do Pará, nas cidades do norte do Mato Grosso e em Rondônia, ações predatórias como a derrubada, todos os dias, de dezenas a centenas de hectares de matas, denigrem a imagem do Estado Brasileiro perante os olhos do mundo. Muitos proprietários de terras e empresas madeireiras dessas áreas literalmente ignoram e ridicularizam as normas e leis ambientais instituídas. Pela razão mais simples: o Estado Brasileiro não possui, no momento, estrutura logística para implantar um processo de fiscalização que seja no mínimo razoável.

Diante desse quadro que é desolador, pois é uma clara exposição da fraqueza do Brasil em executar sua política de planejamento ambiental, a situação atual dos assuntos estratégicos nacionais com relação à proteção de suas florestas é humilhante. E é por causa desse grave período que se configura que a ex-ministra Marina Silva pediu demissão. Por mais que maquiasse sua saída, pediu demissão porque viu a sua impotência diante de um sistema ambiental que possui bem elaboradas leis ambientais, mas de uma fraqueza operacional preocupante. Seus esforços devem ser creditados, ela realmente lutou pela proteção da floresta, sendo um dos nomes brasileiros mais conhecidos no cenário ambiental internacional. Todavia, um nome não tem o poder de parar o processo de desmatamento das áreas amazônicas, assim como leis não cumpridas não passam de normas escritas em vão em um pedaço de papel.

Sai Marina, entra Carlos Minc. Carlos Minc Baumfeld, participou nas décadas de 1960 e 1970 dos movimentos estudantis contra ditadura, foi exilado em 1969 e retornou ao Brasil pela Lei da Anistia em 1979. Junto com Fernando Gabeira e Alfredo Sirkis, fundou o Partido Verde. Estava antes atuando como Secretário de Meio Ambiente do Estado do Rio de Janeiro. Agora, como o mais novo ministro do Meio Ambiente, terá, com certeza, o maior de seus desafios: pensar e planejar condições para que o processo de fiscalização das áreas florestais brasileiras seja mais eficiente. Ele sabe da dureza da missão, tendo dito em entrevistas e textos de jornal que entra no cargo com toda a cautela e temor, mesmo porque o próprio Minc afirmou em entrevista para a BBC Brasil que “foi obrigado” e de que “não era um convite, era intimação”, devido à insistência do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral e do presidente Lula.

No fundo, Minc não queria essa “cruz” para carregar, mas aceitou devido a insistência do próprio presidente. Meio Ambiente, de fato, está virando um tema muito incômodo, em um país que não têm condições logísticas e humanas de proteger suas florestas e que cada vez mais se encontra sobre os holofotes do cenário político internacional.

Como o novo ministro irá melhorar o funcionamento do IBAMA, reestruturar suas ações logísticas e protestar e impedir o avanço da frente colonizadora agrícola sobre a Amazônia em plena época de valorização do preço dos alimentos? O próprio governador do Mato Grosso, Blairo Maggi, afirmou em texto publicado pela Reuters em 29 de abril que a própria ocupação da Amazônia poderia ser uma solução contra o aumento nos preços de gêneros essenciais como o arroz. Para piorar as tendências do cenário ambiental futuro, o próprio governo Lula prioriza acima de tudo o Plano de Aceleração do Crescimento e o aumento da produção de biocombustíveis, que se por um lado apresenta como um viés ecológico para a redução do porcentual de gases dos veículos, por outro se apresenta através de um viés profundamente econômico. Uma forte hipótese que se configura é de que os próprios biocombustíveis podem ser um fator de influência para a diminuição da área de produção de alimentos, de elevação dos preços dos alimentos, de fomentação da expansão agrícola sobre as áreas amazônicas e de origem, no fim, de mais desmatamento.

Enfim, o novo ministro, terá desafios hercúleos em seu ministério, e assim como Marina, terá de enfrentá-los, desafiando homens poderosos com interesses megalomaníacos de riqueza cujos meios de ação não raramente são mesquinhos, quando não perigosos. Esses adversários podem, por sua vez, não estar a milhares de quilômetros de distância, mas na sala ao lado, oferecendo um cafezinho. Essa pressão e tensão certamente seguiram Marina e seguirão Minc. Sem dúvida essa é a velada Guerra Ambiental Brasileira.

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Batemos mais um recorde em 800 000 anos

8:27:00 AM

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Quem paga mais impostos no Brasil?

8:23:00 AM

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A Importância de Plantar e Proteger Árvores

Quinta-feira, Maio 15, 2008 5:46:00 PM

Em diversas ocasiões, tenho comentado a importância de plantar árvores tanto na Índia, o nosso lar atual, como no Tibet. Hoje, como um gesto simbólico, estamos realizando uma cerimônia de plantio de árvores aqui no assentamento. Afortunadamente, o movimento para um compromisso mais profundo com a proteção ambiental através do plantio de árvores novas e de cuidar das existentes, está crescendo rapidamente em todo o mundo. No nível global, árvores e florestas estão muito ligadas aos padrões climáticos e também à manutenção de um equilíbrio crucial na natureza. Portanto, a tarefa da proteção ambiental é uma responsabilidade universal de todos nós. Penso que é extremamente importante para os tibetanos que vivem nos assentamentos não só ter um grande interesse pela causa da proteção ambiental, mas também para implementar este ideal em ações de plantio de novas árvores. Assim, estaremos fazendo um gesto importante para o mundo em demonstrar as nossas preocupações globais e, ao mesmo tempo, fazer a nossa própria pequena, mas significativa contribuição à causa.
Se olharmos ao redor, podemos agora ver que aquelas casas nos monastérios e em vários assentamentos onde as pessoas plantaram árvores frutíferas, agora apreciam um grande benefício como conseqüência de seus atos. Em primeiro lugar, se houver uma árvore em seu quintal, isto cria uma ambiente de beleza natural e serenidade. É óbvio que também podemos comer as frutas da árvore e sentarmos sob a árvore, apreciando sua sombra agradável. De sua parte, o que se esperava é um pouco de paciência para dar tempo para a árvore crescer.
Finalmente, gostaria de fazer uma sugestão a respeito do uso de suas terras no assentamento. Neste assentamento vocês já iniciaram um projeto de plantio de árvores. Penso que este é um ótimo plano. Ao plantar árvores frutíferas em suas terras, não só asseguramos que a terra permaneça produtiva, mas também que vocês terão frutas para comer. Em suma, gostaria de enfatizar mais uma vez que é extremamente importante plantar árvores novas e protegeras que já crescem ao seu redor.

(Discurso de 6 de dezembro de 1990, em uma cerimônia especial realizada no Assentamento Tibetano Doeguling, em Mundgod, no sul da Índia. Adaptado de Boletim Informativo Tecnologia Apropriada para Tibetanos - ApTibet, Boletim Informativo nº 5, setembro de 1991. Traduzido por Marly Ferreira.)

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DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA

Segunda-feira, Maio 12, 2008 11:17:00 AM

1.- DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA.
O debate a respeito da Dignidade da Pessoa Humana é um tema essencial no campo do Direito, no entanto, não se restringe a ele, uma vez que este é um assunto relacionado com a História da própria Humanidade.
Assim, a relevância da questão proposta poderia ser longamente discutida em diferentes momentos dessa história, porém, neste texto em particular nos interessa o momento presente.
Para tanto, comecemos pelo conteúdo de uma Revista Católica, COMMUNIO, que no nº3 de 2006, seus editores afirmam: “São tempos difíceis, estes em que vivemos, onde certos conceitos que pareciam claros e nítidos se diluem. Um deles é justamente o da pessoa humana e da sua dignidade”. Existem, continuam os editores da publicação: “mundivivências e práticas que ignoram ou se afastam [da] dignidade da pessoa”, trazendo como argumentos a existência de “culturas que aceitam diferentes estatutos para escravos, mulheres e outros "filhos de deuses menores", incluindo neste rol as pesquisas de vanguarda nas áreas da “biologia, zoologia e ecologia” (1).
Nesse mesmo número da revista, o trabalho de Karl Graf Ballestrem, A Igreja católica e os direitos humanos, destaca a solução dada ao paradoxo existente na Igreja Católica, quanto aos fundamentos da dignidade humana, antes e depois do século XX. Por último, no artigo Natureza humana e bioética. A propósito de Francis Fukuyama” Marta Mendonça realiza uma abordagem crítica do tema.
Já no campo do Direito, o tema também é de intenso debate e relevância, uma vez que ele se encontra presente na Constituição de 1988, afirmando Janaina Cassol Machado que: “Basta voltar os olhos para os incisos III e IV do artigo 1º da Constituição, que guardam os fundamentos da dignidade humana” (2).
Se por um lado, ainda no campo do Direito, o debate da Dignidade da Pessoa Humana aparece associado com o Direito à saúde, num artigo de Gustavo Pedroso Severo o argumento serve para uma questão bem diferente, como bem demonstra o título do texto: O reconhecimento das uniões homoafetivas como entidades familiares e a possibilidade jurídica de adoção em conjunto por parceiros do mesmo sexo. Nesse trabalho é trazido à tona, o texto constitucional, argumentando que:
A partida para a confirmação dos direitos dos casais homoeróticos [...] está, precipuamente, no texto constitucional brasileiro, que aponta como valores fundantes do Estado Democrático de Direito o princípio da dignidade da pessoa humana(CF, art. 1º, III) (3).

O referido autor argumenta ainda, em concordância com Luiz Edson Fachin, que por sua vez cita a José Carlos Teixeira Giorgis que:

formam a base jurídica para a construção do direito à orientação sexual como direito personalíssimo, atributo inerente e inegável da pessoa e que, assim, como direito fundamental, é um prolongamento de direitos da personalidade, imprescindíveis para a construção de uma sociedade que se quer livre, justa e solidária (4).

No campo internacional a entidade Anistia Internacional (AI) exige abolição da pena de morte, a qual ainda é praticada em 83 países, argumentando Irene Khan, secretária-geral da organização de defesa dos direitos humanos, que: “É escandaloso que os Estados continuem a praticar execuções” [que representam uma] “violação dos fundamentos da dignidade humana” (5).
No campo político a declaração de princípios do Partido dos Trabalhadores da Guiné-Bissau defende um “novo contrato social baseado no respeito pelos fundamentos da dignidade humana”.
Assim, é possível concluir que os debates a respeito da Dignidade da Pessoa Humana permeiam todas as esferas da sociedade e isto acontece em diversos lugares do mundo, porém os argumentos que fundamentam essa dignidade humana não são explicitados. Cabendo então a pergunta quais são os fundamentos.

2.- FUNDAMENTOS DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA.

Acompanharemos neste item o trabalho de José Francisco de Assis Dias, orientado pelo estudo da obra de Norberto Bobbio. O professor Dias resgata de Bobbio, uma pergunta que me parece básica: existe um Fundamento Absoluto da Dignidade da Pessoa Humana? (6).
Nesse aspecto, devemos considerar que quando falamos de fundamento estamos trazendo para o debate aquilo que legitima, para a razão, uma questão inequívoca na qual repousa um sistema.
Nesse contexto, Bobbio, citado por Dias, formula o questionamento de que o fundamento “absoluto” é uma ‘ilusão’ e que, além disso, ela é infundada (7). Destacando que na construção do conteúdo desses argumentos, para os fundamentos absolutos, está presente uma visão de mundo particular que de certa forma se pretende válida para todos.
Porém, segundo Bobbio, de fato a sociedade “negocia” certo consenso que termina sendo traduzido numa ‘fórmula genérica’, o que não resolve as contradições interpretativas, desse Fundamento Absoluto. Sendo que esse consenso não resiste o passo “da ‘enunciação’, puramente verbal para o da aplicação (8).
Assim, estamos frente à denominada ‘Ilusão’ de um Fundamento Absoluto. No entanto, entendo que isto não significa que devemos abandonar a procura dos Fundamentos. Uma vez que eles permanecem como condição do processo civilizatório da humanidade e ainda como exercício da razão.
Haja vista também que na dinâmica social os processos históricos são concretos, plurais e heterogêneos e incorporam, nesse processo civilizatório da História Humana, um ‘relativismo’, que considero salutar, pois garante o questionamento e ruptura dos paradigmas sociais e a superação das visões conservadoras (9).

3.- CONSIDERAÇÕES FINAIS PARA CONTINUAR O DEBATE

Os Fundamentos da dignidade da pessoa humana sejam eles construídos num ‘consensus omnium gentium’ ou ‘consensus humani generis’ não garantem a amplitude necessária para a sua concretização. Uma vez que a liberdade se mostra como limite a estes consensos, estruturados através de uma visão de mundo sempre particular e impositiva.
Esta conclusão não significa que é impossível construir os fundamentos da dignidade humana, e que sua procura pode ser abandonada, ao contrário ela deve ser insistentemente estimulada.
Essa procura é essencial á própria condição Humana do homem e ela pode ser desenvolvida através da coexistência ontológica do Homem (10); nas circunstâncias de justiça (11); no fim do Homem enquanto ser moral (12); no valor do Homem (13); na natureza das coisas (14); na natura humana; nos bens humanos fundamentais; na dignidade de Filhos de Deus (15); ou como afirma Dias buscá-la “na humanitas presente em todo ente chamado Homem e que lhe dá uma dignidade ímpar, enquanto humanitas vivens”.
Neste contexto se encontra a reflexão de Barbara Gancia, quando questiona:
Algo me diz que, a partir do momento em que eu me convencer de que Alexandre Nardoni teve alguma coisa a ver com a morte da filha, minha crença no sucesso do ser humano ficara irremediavelmente comprometida (16).
Na reflexão de Gancia emerge com toda força, não somente a pertinência do debate do fundamento da dignidade humana, como seu questionamento está permeado pela dignidade humana desde a perspectiva humanita que o invade como pessoa.

Fontes:
(1).- Revista COMMUNIO. Ano XXIII, 2006, nº3.
Disponível em: http://www.revistacommunio.com/
(2).- A concretização do direito à saúde sob o viés do fornecimento de medicamentos não inclusos na Relação Nacional de Medicamentos Especiais – RENAME, Janaina Cassol Machado. Revista Doutrina, nº20, 29 de outubro de 2007.
Disponível em: http://www.revistadoutrina.trf4.gov.br/index.htm
(3).- Severo, Gustavo. O reconhecimento das uniões homoafetivas como entidades familiares e a possibilidade jurídica de adoção em conjunto por parceiros do mesmo sexo. Revista Doutrina, nº22, 28 de fevereiro de 2008.
Disponível em: http://www.revistadoutrina.trf4.gov.br/index.htm
(4).- GIORGIS, José Carlos Teixeira. A natureza jurídica da relação homoerótica. Revista da AJURIS, n. 88, tomo I, p. 242.
(5).- Relatório Anistia Internacional.
Disponível em: www.tsf.pt/online/vida/interior.asp?id_artigo=TSF131427.
(6).- Cfr. N. BOBBIO, “Sul fondamento dei diritti dell’uomo”, in ED, 5. Apud José Francisco de Assis Dias. Capítulo II. A Categoria Direitos do Homem. 2005.
(7).- Cfr. Ibidem: “Questa illusione oggi non è più possibile; ogni ricerca del fondamento assoluto è, a sua volta, infondata.” Apud José Francisco de Assis Dias. Capítulo II. A Categoria Direitos do Homem. 2005.
(8).- Cfr. Ibidem: Apud José Francisco de Assis Dias. Capítulo II. A Categoria Direitos do Homem. 2005.
(9).- Cfr. Ibidem, 13-14. Apud José Francisco de Assis Dias. Capítulo II. A Categoria Direitos do Homem. 2005.
(10).- Cfr. S. COTTA, “Per un riesame delle nozioni di Giusnaturalismo e Diritto Naturale”, in Rivista Internazionale di Filosofia del Diritto LXV, 4 (1988) 730 ss. Apud José Francisco de Assis Dias. Capítulo II. A Categoria Direitos do Homem. 2005.
(11).-Cfr. O. HÖFFE, Estudios sobre teoría del derecho y la justicia. Trad. esp., Barcelona 1988, 76, 129 ss. Apud José Francisco de Assis Dias. Capítulo II. A Categoria Direitos do Homem. 2005.
(12).- Cfr. R. SPAELMANN, “La ética como doctrina de la vida lograda”, in Atlántida 3 (1990) 17-27. Apud José Francisco de Assis Dias. Capítulo II. A Categoria Direitos do Homem. 2005.
(13).- Cfr. B. MONDIN, Il valore uomo, Roma 1985, 162 ss. Apud José Francisco de Assis Dias. Capítulo II. A Categoria Direitos do Homem. 2005.
(14).-Cfr. A. KAUFMANN, Analogía y naturaleza de la cosa. Trad. esp., Santiago de Chile 1976, 90-103. Apud José Francisco de Assis Dias. Capítulo II. A Categoria Direitos do Homem. 2005.
(15).- Cfr. C. I. MASSINI-CORREAS, “Diritti umani ‘deboli’ e diritti umani ‘assoluti’”, in Diritto naturale e diritti dell’uomo all’alba del XXI secolo, Colloquio internazionale – Roma, 10-13 gennaio 1991, a cura de UNIONE GIURISTI CATTOLICI ITALIANI (Quaderni di Justitia, 40), Roma 1993, 154. Apud José Francisco de Assis Dias. Capítulo II. A Categoria Direitos do Homem. 2005.
(16).- Gancia, Barbara. Nâo venham me dizer que foi ele. Folha de São Paulo, Sâo Paulo, 11 de abril de 2007, p. C2, cotidiano.

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Rodoviária Velha: Precisa ser demolida?

Domingo, Maio 11, 2008 9:41:00 AM

Rodoviária Velha: Precisa ser demolida?
Por: Veroni Friedrich

Há mais de um ano opinamos acerca da demolição ou revitalização da rodoviária. Neste dia em que oficialmente Maringá completa 61 anos de história, quero aqui refletir: A demolição da rodoviária é necessária?
As razões apresentadas pelo poder público para demolir este imóvel giram em torno dos tópicos: risco de desabamento do imóvel, marginalidade social existente no local e benefícios que os novos empreendimentos representarão para a população.
No tocante ao argumento de que o imóvel encontra-se tecnicamente condenado e com riscos de desabar, hoje está comprovada a fragilidade de tal afirmativa. Laudo feito pelo engenheiro Sr. Antonio Carlos Peralta (profissional contratado pelos condôminos da rodoviária) concluiu que o imóvel apesar de necessitar de reformas, pode ser recuperado.
A argumentação quanto à marginalidade existente nos arredores da rodoviária velha é bastante problemática. É fato visível que atividades ilícitas como prostituição, drogas e roubo não são exclusivas deste espaço. Também é fácil de concluir que a demolição do prédio não resolve a situação, apenas deslocaria as pessoas em situação de marginalidade social para outros locais da cidade. Os marginalizados socialmente continuariam a existir, de modo que só na aparência a questão estaria resolvida. A questão social, não é fácil de ser encarada, mas cabe perguntar: Queremos ajudar a resolver o problema destas pessoas, ou, queremos que eles fiquem bem longe de nós, não causando mais incômodos?
Em relação ao fato de que um outro empreendimento traria mais vantagens para a população, é bom indagar: Com exceção de alguns moradores mais abastados financeiramente, os quais poderão comprar um apartamento naquele espaço, que ganhos obterá a população com a construção de um residencial de até 36 andares ali? Acho que esta é a primeira pergunta a ser feita, pois as intervenções feitas na cidade devem primeiramente ser pensadas na ótica da população.
As propostas apresentadas pelas empresas participantes do edital propõem a construção também de um hotel, salas comerciais e até mesmo de um centro cultural. No tocante à construção de um hotel, apesar de ter dúvidas quanto à necessidade de ampliação da rede hoteleira na cidade, penso que tem como fator positivo o fato de que tal empreendimento talvez futuramente possa gerar empregos de forma direta e indireta.
No tocante ao centro cultural, concordo que de fato é algo que verdadeiramente pode trazer benefícios à população.
De forma geral, penso que embora sejam discutíveis os benefícios diretos que tais empreendimentos possam trazer à maioria da população e em especial aos marginalizados da rodoviária e seus arredores, não se pode negar que há alguns pontos positivos. Entretanto, de qualquer forma as eventuais vantagens e mesmo aquelas advindas da possibilidade de um centro de cultura não superam o prejuízo histórico-cultural de uma eventual demolição da rodoviária velha. As propostas apresentadas pelas empresas, a pedido do poder público, para substituir a rodoviária por novas construções, no meu entendimento, não justificam a demolição deste imóvel, o qual tem ligações muito estreitas com a história de Maringá.
Para alguns moradores que não tem vínculos mais antigos com Maringá, ou para aqueles que por falta de oportunidade ainda não compreendem o que é o patrimônio histórico de uma cidade, ou ainda, para outros que (com razão) estão incomodados com a situação precária do prédio; o imóvel deve ser demolido a fim de solucionar os problemas sociais da cidade ou também para revitalizar o lugar.
Entretanto é preciso que na ânsia de resolver estas questões não deixemos de refletir acerca do fato de que o patrimônio histórico (formado por objetos, prédios, documentos, bens imateriais: festas, tradições, saberes, paisagem natural etc) é o documento de identidade de uma cidade. È o que mostra como uma sociedade foi se fazendo no decorrer do tempo. Há que se ter em conta que a história de um povo precisa ser apropriada e conhecida pelas futuras gerações, é um direito da população ter acesso ao conjunto de bens culturais que são portadores de suas histórias. Valorizar o patrimônio cultural é também uma ação para que se rompa com o imediatismo e a indiferença, características tão presentes no mundo moderno.
Entendo ser lastimável que num futuro bem próximo, se as coisas continuarem assim, ao caminhar pelas ruas, praças e bairros desta cidade, não tenhamos a possibilidade de nos depararmos com aqueles prédios que portam o desenrolar da história da cidade. Que história teremos para mostrar quando a cidade tiver 70, 80, 90 anos? Nossa memória e trajetória histórica somente poderão ser conhecidas nos museus, em livros ou em fotografias? Por certo estes registros são importantes, mas não são comparáveis à experiência de andar pelas ruas e conhecer a construção de uma sociedade de forma mais concreta e instigante.
Ainda temos tempo de romper com esta noção limitada e superada de se conservar a história. O fato de Maringá ser jovem deveria ser aproveitado por nossos governantes, isto no sentido proteger o patrimônio histórico enquanto é possível, enquanto ele está aí. Cidades mais antigas do Brasil despertaram para a preservação quando muitos registros da história não mais existiam. A cidade não tem que ter 100 ou 200 anos para que comece a pensar na conservação do seu legado histórico.
Importa também dizer que não importa se eu acho feio ou se o outro acha a rodoviária bonita. Esses critérios servem bem para a gente comprar um sofá, uma casa, um vestido, um carro etc. Mas a história, ou antes, o patrimônio histórico não é necessário de ser preservado por ser belo ou feio, moderno ou antigo; mas sim porque neles há vida, há cheiro de gente, há alegrias, há tristezas, há erros e acertos, ou seja, pelo fato de que há história em meio à sua constituição. Por trás das paredes, vigas e do concreto da rodoviária velha estão vivências e experiências significativas, feitas no desenrolar da história.
Já em seu nome “Terminal Américo Dias Ferraz” denota-se sua função de símbolo, sua capacidade de evocar a história política da cidade. É sem dúvida o imóvel que evoca a paisagem urbana da Maringá dos anos 60, 70, 80.
È um marco que representa a chegada de homens e mulheres que foram atraídos para cá em busca de consolidar uma nova vida e também a saída daqueles que não tendo tanto êxito partiram em busca de outras oportunidades e experiências, reconstruindo novos sonhos. Um marco do desenvolvimento econômico rápido de Maringá, esta rodoviária começou a ser construída em 1959, quando a cidade ainda tinha apenas 12 anos de fundação. Um prédio que foi motivo para postais, revistas, souvenirs e também um ponto de encontro, um espaço de socialização.
Vale lembrar que a rodoviária já foi alvo de estudos criteriosos, feitos por profissionais e técnicos em patrimônio histórico, que são comprometidos exclusivamente com a questão da preservação da memória maringaense. Tais profissionais atestaram a sua importância de ser preservada enquanto bem histórico-cultural da cidade. Importância esta que lhe dá a necessidade de ser revitalizada e não demolida.
Quando falamos da rodoviária precisamos também ter capacidade de percepção. A nossa temporalidade não deve fazer com que sejamos anacrônicos, isto é, que olhemos a rodoviária a partir dos olhos de hoje e dos conceitos do que hoje é moderno. Certa vez ouvi alguém dizer que não fazia sentido manter a rodoviária, pois “hoje podemos construir coisas muito melhores, a rodoviária não passa de um caixote”. Isto é um equívoco! O patrimônio histórico precisa ser pensado por outros critérios e não estes de estética e capacidade tecnológica.
Penso que fazer as intervenções que a dinâmica urbana atual requer não significa um agir que descarte os símbolos identificadores da cidade. Muito pelo contrário, por isto mesmo no plano diretor de Maringá está estabelecido que as intervenções no espaço urbano sejam feitas em acordo com a manutenção de prédios e edifícios vinculados à história da cidade.
Assim, cabe a pergunta: Se a população precisa de mais um grande hotel, de salas comerciais, de residenciais ou mesmo um centro cultural, não tem a prefeitura a capacidade de viabilizar outros espaços para concluir estes projetos? Não é possível que tais empreendimentos sejam feitos em outros lugares, evitando a demolição daquilo que é patrimônio histórico? Por qual motivo estes novos edifícios precisam ser construídos justamente naquela quadra?
È fato que a história caminha. Que sejam bem vindos os arranha-céus, os hotéis, shoppings, salas comerciais etc! Contudo, que eles sejam construídos em sintonia com os marcos históricos da cidade, que são antes de tudo registros da história daqueles que por aqui já passaram e até mesmo já se foram.
Por fim termino minhas reflexões dizendo que seria bom que o poder público fosse além da exaltação da figura do pioneiro e da bela cidade que ele construiu. Isto, sem dúvida é relevante, mas, em minha opinião, fundamental é que ações mais concretas sejam tomadas para verdadeiramente valorizar a história de Maringá, Afinal de contas se nossa história é tão significativa, por qual motivo não considerar e proteger o patrimônio histórico de Maringá? Um bom presente à cidade neste seu 61º aniversário, seria a formulação de uma política cultural em prol do patrimônio histórico, a começar pela rodoviária.

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Sacolas de plástico inundam....

Sábado, Maio 03, 2008 10:54:00 AM


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...

10:53:00 AM

Dalcio

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Evolução...

10:49:00 AM


Luz UV é afrodisíaco de aranhas
Espécie chinesa é o primeiro animal conhecido a usar esse tipo de radiação como meio de comunicação
Pesquisador de Cingapura mostra que fêmeas daquela espécie escolhem machos que refletem ultravioleta B, nocivo para seres humanos

RICARDO BONALUME NETO, DA REPORTAGEM LOCAL FSP, 3/5/08

A mesma luz que queima a pele e pode causar câncer em humanos é considerada um potente atrativo sexual -para uma espécie de aranha chinesa.A luz ultravioleta é invisível ao olho humano, mas está incluída no "pacote" de radiação que o Sol manda todo o tempo à Terra.
O espectro ultravioleta é dividido em vários subtipos -o mais comum é a faixa A (UVA), e a potencialmente mais perigosa é a faixa B (UVB).A luz UVB em doses adequadas é benéfica, pois induz à formação de vitamina D na pele; em excesso, causa danos à retina, queimaduras e, eventualmente, câncer de pele."Muitos animais, particularmente as borboletas, têm partes do corpo que refletem a luz UVB, mas não foram feitos estudos para investigar o significado adaptativo da visão e da coloração UVB porque sempre se assumiu que os animais não podiam ver em UVB devido aos seus efeitos nocivos diretos", disse à Folha o líder da pesquisa, Daiqin Li, da Universidade Nacional de Cingapura.
O estudo, feito por Li e mais sete colegas, foi publicado on-line na revista "Current Biology". É o primeiro relato de que um animal usa a luz UVB como meio de comunicação."Em nossos estudos da visão UV em aranhas saltadoras nós descobrimos que algumas delas refletem UVA e UVB, enquanto outras refletem apenas a luz UVB", afirma Li.
"Isso nos levou a explorar as possibilidades da UVB em comunicação animal dentro da mesma espécie, e nós descobrimos que a aranha saltadora Phintella vittata reflete apenas UVB, é ainda capaz de ver UVB e, o mais importante, a fêmea usa UVB para a escolha de parceiro. Este é o primeiro estudo da importância da UVB na escolha de parceiro pela fêmea em qualquer animal.
"Os experimentos foram feitos com pares de aranhas e o uso de filtros transparentes que podiam bloquear UVA, UVB ou ambas as faixas.
Os pesquisadores também tomaram cuidado de checar o brilho total da luz -pois as aranhas poderiam estar sendo influenciadas não pelo tipo de radiação, mas pela sua intensidade-, além de bloquearem outros fatores da atração sexual, como o olfato ou vibrações.O resultado foi inegável: a fêmea achava muito mais "sexy" o macho que refletia UVB. Ele perdia o charme quando um filtro bloqueava essa radiação. Mas como esse original mecanismo de escolha de parceiro evoluiu? "É difícil dizer. Um macho refletindo UVB pode ser mais atraente apesar de não haver benefícios diretos de copular com esse macho. Pode ser por causa de um viés sensorial preexistente da fêmea para coloração UVB, isto é, os machos se aproveitam desse viés", afirma o pesquisador."Fêmeas escolhendo mais machos de coloração UVB podem produzir descendentes com maior aptidão. Machos UVB mais brilhantes ou mais coloridos podem refletir maior qualidade do macho", diz Li.
Li esteve no Brasil no ano passado, durante o 17 º Congresso Internacional de Aracnologia, quando apresentou outro estudo sobre ultravioleta e aranhas, publicado então na revista científica "Science".

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Surpresa ruim

Sexta-feira, Abril 25, 2008 3:36:00 PM

O Canadá e os EUA assinaram o Protocolo de Quioto mas não o ratificaram. O protocolo estabelecia o objetivo de baixar as emissoes de CO2 até os níveis de emissão de 1980. Como a economia do Canada é extremamente ligada à economia dos EUA,, seria lógico que se eles baixassem, o Canada teria que fazer o mesmo, querendo ou não.

O EUA não o fizeram e o Canadá, em lugar de baixar as emissoes, aumentou-as em mais de 30% em ritmo acelerado desde o início da exploração das jazidas de areia betuminosa para extrair petróleo. Este tipo de jazida, que há alguns anos era econômicamente inviável, está enriquecendo a província de origem do primeiro ministro de direita, Stephen Harper, que insiste em objetivos nao obrigatórios para os protocolos de diminuição de emissoes de carbono.

Na ocasião do primeiro protocolo, uma das estatégias visadas para diminuir as emissoes focalizava o manejo das extensas florestas de coníferas canadenses e o reflorestamento de áreas degradadas. Porém, segundo pesquisas, estas florestas se mostraram pouco eficientes na captura do carbono por causa dos incêndios naturais, que fazem parte da ecologia destes biomas.

Na semana passada, uma recente pesquisa foi anunciada na Radio-Canada concluindo que as florestas de coniferas tem poluído tanto quanto os carros. Com o aquecimento climático as florestas temperadas se tornaram uma presa fácil par a infestação de pragas. Mesmo que se consiga evitar os incêndios naturais que ocorrem todos os anos, a morte das arvores emite tanto carbono quanto todos os carros em circulação no Canadá.

Um resumo da pesquisa pode ser lido na edição de 24 de abril, da Nature.

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Decrescimento convivial

Quinta-feira, Abril 24, 2008 1:48:00 PM

O movimento de decrescimento convivial do Quebec toma ares de ideologia, propondo um manifesto e um termo de adesao.

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Chamada de artigos para o XIV Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto

Quarta-feira, Abril 23, 2008 4:32:00 PM

XIV Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto

Centro de Convenções de Natal
Av. Dinarte Mariz , s/n - Via Costeira
CEP: 59090-002 - Natal - RN, Brasil

De 25 a 30 abril de 2009

Prazo para submissão de artigos, comunicações e painéis: 10 de novembro de 2008
Tel: (12) 3945-6932 / 6450
Fax: (12) 3945-6460 / 6449

e-mail: sbsr@dsr.inpe.br
site: http://www.dsr.inpe.br/sbsr2009
Imagens CBERS: http://www.obt.inpe.br/catalogo

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Um index para avaliar a seriedade do titulo de Cidade Sustentável

Segunda-feira, Abril 21, 2008 9:55:00 AM

Projeto de indicadores de sustentabilidade
1 - O projeto ativo pelo menos nos últimos cinco anos
2 - O relatório indicando progressão dos indicadores positivos e regressão dos negativos
3 - O projeto incluindo plano de ação tanto em políticas quanto em programas.

Crescimento inteligente
4 - Desenvolvimento de parque eco-industrial
5 - Desenvolvimento econômico controlado e integrado
6 - Programa de bairros ecológicos
7 - Projeto ou plano piloto de re-densenvolvimento de antigas áreas industriais

Políticas e programas de zoneamento e uso do solo
8 - Zoneamento utilisado para proteger áreas sensíveis ao crescimento
9 - Plano de uso do solo que inclua mecanismos efetivos de proteção ambiental
10 - Incentivos fiscais para iniciativas ecológicas

Políticas e programas de transporte
11 - Operações voltadas aos bairros de menor renda e maior densidade
12 - Limitação de estacionamento nas áreas centrais
13 - Tráfego de principais vias monitoradas e difundidas por rádio
14 - Programa de combustíveis alternativos
15 - Programa de desenvolvimento de rede de ciclovias

Prevençao da poluição e esforço de redução
16 - Programa de separação doméstica dos resíduos sólidos
17 - Programa de reciclagem industrial
18 - Programa de reciclagem de resíduos perigosos
19 - Program de redução da poluição do ar
20 - Produtos reciclados comprados pelo governo
21 - Fundo de recuperação de locais contaminados
22 - Programa de diminuição e eliminação do asbestos
23 - Programa de diminuição e eliminação resíduos de pintura

Conservação de recursos e de energia
24 - Programa de construção verde
25 - Programa de utilisação de energia renovável
26 - Esforço de redução do consumo de energia
27 - Programa de energia alternativa oferecido aos consumidores
28 - Programa de conservação da água

Organização, administração, gerenciamento, coordenação e governância
29 - Única agência governamental, sem fins lucrativos, para a implementação da sustentabilidade
30 - Plano de sustentabilidade constituindo eixo principal do plano diretor da cidade
31 - Envolvimento do município no conselho metropolitano de ambiente e desenvolvimento
32 - Envolvimento direto do prefeito ou chefe do executivo no plano de sustentabilidade
33 - Envolvimento da comunidade comercial (ex: câmara de comércio)
34 - Envolvimento do público em geral na iniciativa de cidade sustentável (ouvidoria pública, associações de bairro, processos de discussão e debate acadêmico, propostas de cidade, etc. )


Fonte: Portney (2003) Taking Sustainable Cities Seriously: Economic Development, the Environment, and Quality of Life in American Cities. MIT Press, Cambridge.

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Parcialidade e amizade

Terça-feira, Abril 15, 2008 11:42:00 AM

A revista do CREUM - Centro de pesquisa em ética, traz um artigo interessante sobre parcialidade ética e amizade, algo que tem muito a ver com política. Se você gosta de quebrar a cabeça com questoes cabeludas e dar um chega pra lá no Alzheimer, a revista é um bom estimulante.

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A desigualdade, a fome e a crise ambiental

Segunda-feira, Abril 14, 2008 10:36:00 AM

A crise alimentar provocada pelo aumento dos preços dos cereais tem várias causas.
Uma delas é, sem dúvida, a demanda de agrocombustíveis que, apesar da já provada ineficácia contra as emissoes dos gases de efeito estufa, continua sendo uma das opçoes energéticas buscadas pelos países ricos e emergentes.
Uma segunda causa é a abertura do regime chinês e a formação de uma classe média equivalente à americana, buscando atingir o mesmo padrão de consumo, incluindo uma alimentação rica em proteína animal, ou seja, carne e laticínios. Para atender à esta demanda, o aumento da produção animal exige um aumento de produção de ração, aumento do preço sobre os cereais que entram na sua composição e aumento de área agrícola voltada à este setor.
A terceira causa é a crise da produção agrícola causada pelo aquecimento climático. A seca que assolou a Austrália em 2007, diminui a oferta mundial de trigo. Os países asiáticos, grandes produtores de arroz, foram prejudicados pelas cheias que baixaram a produção à níveis críticos. Finalmente, a quarta causa são os especuladores do mercado de cereais, que fizeram disparar os preços por causa da perspectiva de baixa de produtividade, buscando lucrar rapidamente com a carestia de produtos alimentares de base.
Os países com pouca autonomia agrícola são os mais ameaçados e é entre os pobres dos países mais pobres, como o Haiti, o Egito e a Nigéria, que a crise se faz sentir de forma mais acentuada.
No Brasil, são os pobres do nordeste brasileiros que são ameaçados mais seriamente. Aqui, a crise alimentar somada à euforia do agrocombustível de cana, pressiona as fronteiras agrícolas sobre o frágil território da Amazônia, agravando a crise ambiental mundial.

O Ronco da Cuíca
Autores: João Bosco & Aldir Blanc

Roncou, roncou,roncou de raiva a cuíca,
roncou de fome
...alguém mandou,
mandou parar. - A cuíca é coisa dos home.
A raiva dá pra parar, pra interromper.
A fome não dá pra interromper.
A fome e a raiva é coisa dos home.
A fome tem que ter raiva pra interromper.
A raiva é a fome de interromper.
A fome e a raiva é coisa dos home,
é coisa dos home,
é coisa dos home,
a raiva e a fome
mexendo a cuíca
vai ter que roncar.

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Gentrificação

Domingo, Abril 13, 2008 12:35:00 PM

O termo "gentrification" parece ter sido inventado por Ruth Glass em 1963, para definir o processo de substituição de uma população pobre por uma população de maior poder aquisitivo na ocupação de uma área da cidade.
Um caso clássico que exemplifica este processo é o do Greenwich Village, em Nova Iorque. Neste bairro operário, uma faixa da classe média, interessada nos benefícios da vida urbana: na proximidade entre moradia, trabalho e lazer à baixo preço, ocupa os apartamentos disponíveis, diminuindo a oferta. Rapidamente o valor imobiliário dispara e os habitantes tradicionais não conseguem mais arcar como os aumentos. Para resolver este problema, pressionam o poder público para que construa alojamentos sociais, ou seja, edifícios de apartamentos, afim de aumentar a oferta e baixar o preço dos aluguéis.
No caso do Greenwich Village, os novos moradores são classificados como "bobos", ("bohemian bourgeois") artistas e intelectuais com um estilo de vida urbano que valorisavam a atmosfera do bairro operário e as vantagens de proximidade do centro. Os não bobos, ou seja, a classe média desejosa de silêncio, tranquilidade e segurança, se refugia em novos empreendimentos, distantes do centro, buscando recriar comunidades onde seus filhos possam crescer entre crianças de mesmo nível cultural, utilizando o transporte individual para acessar a escola, o comércio e o trabalho, necessitando assim dois ou mesmo três carros por família.
Após o processo de "limpeza" social do bairro operário feito pelos "bobos", uma outra categoria de classe média é atraída ao bairro gentrificado, os "yupps" (young urban professional parents). O que caracteriza os yupps é a recusa da mulher em abandonar sua carreira profissional para se ocupar da casa e das crianças. Neste caso, com o acréscimo da renda familiar, é possível ao casal pagar o custo imobiliário no bairro gentrificado e uma babá, podendo também usufruir dos serviços urbanos e dos prazeres da vida cultural e comunitária que o bairro gentrificado oferece.
Espacialmente, o que caracteriza o bairro gentrificado é a presença de cafés, restaurantes finos, galerias e teatros.

Fonte: Donzelot, Jacques (2007) The three-speed city In: Dialogues in urban & regional planning

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Árvores...

Terça-feira, Abril 08, 2008 6:04:00 PM

Do Miran

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Brasiu

6:02:00 PM


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Patentes no Brasil e no mundo

Quinta-feira, Abril 03, 2008 6:22:00 PM

Conforme matéria publicada na Folha de São Paulo "Número de patentes do Brasil decepciona ONU".

Apesar de ter crescido 15,3% no ano passado, o número de patentes internacionais registradas pelo Brasil em 2007 foi considerado decepcionante pela agência da ONU responsável pelo setor, a Ompi (Organização Mundial de Propriedade Intelectual). Os Estados Unidos continuam liderando o ranking de países com maior número de invenções, mas é uma empresa do Japão que ocupa o topo da lista.
"Diante do tamanho da economia brasileira, esperávamos um número maior", disse o vice-diretor-geral da Ompi Francis Gurry, responsável por monitorar o tratado. Para ele, o baixo número de patentes significa que o investimento em pesquisa e desenvolvimento no Brasil deixa a desejar, além de indicar um modelo econômico que ainda privilegia a exploração de matérias-primas, não o desenvolvimento de produtos manufaturados e tecnologia.
O número de patentes creditadas a um país não significa necessariamente que foram feitas por empresas nacionais. No caso do Brasil, por exemplo, o líder em registros em 2007 foi o fabricante de eletrodomésticos americano Whirlpool, com 17. Em seguida vêm Luiz Gonzaga Granja Filho, com dez, e outra companhia estrangeira, Carrier Corporation, com nove.
O ranking divulgado ontem pela agência da ONU mostra que os Estados Unidos continuam sendo, de longe, a grande potência inovadora do mundo, com 52.280 patentes em 2007, o equivalente a 33,5% do total. Mas também indica que países asiáticos, como Japão e China, estão avançando rapidamente.
A Ompi recebeu em 2007 o número recorde de 156.100 patentes do mundo inteiro, um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior. No topo do ranking está o conglomerado japonês Matsushita, com 2.100 registros, que tirou o primeiro lugar da companhia holandesa Philips (2041). Em terceiro está a alemã Siemens (1.644).
Fonte: Folha de São Paulo, 22/02/2008

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Terra...

Quarta-feira, Abril 02, 2008 11:03:00 AM



DaCosta

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